Inter do começo de 2011, lembra o Brasil de Dunga.

O sistema tático com o qual Celso Roth abriu a temporada do Inter em 2011 provocou um bom debate via Twitter. Na vitória colorada de virada sobre o Juventude por 3 a 1, ontem à noite, cada pessoa praticamente viu o Inter de uma maneira. Apesar de prometer um 4-4-2 em losango – que até foi identificado por alguns, Roth disse que sua equipe acabou jogando em quadrado (que ele chama de 4-2-2-2); na Rádio Gaúcha, o comentarista Nando Gross observou o 4-5-1 “Christmas Tree” (a “árvore de Natal”, ou 4-3-2-1); mas para mim houve a manutenção do 4-5-1 com três meias ofensivos do ano passado (ou 4-2-3-1).

E este primeiro Inter de 2011 lembrou a Seleção Brasileira de Dunga. O desenho do 4-2-3-1 obedece a um desalinhamento nas duas linhas do meio-campo. Primeiro, é preciso recordar: Gilberto Silva e Felipe Melo não jogavam lado a lado. Gilberto aprofundava o posicionamento, mais à direita, atuando como um líbero à frente da zaga, cobrindo os dois laterais; enquanto isso, Felipe Melo era o apoiador pela esquerda, com alguma autorização para avanços esporádicos, em posicionamento mais adiantado. Ainda assim, apesar do desalinhamento, faziam parte da primeira faixa do meio-campo.

Na segunda linha, Elano pela direita atuava muito mais recuado na comparação com Robinho na esquerda. Este desalinhamento total fazia muitas pessoas verem o Brasil no 4-4-2 – com Robinho de atacante, seja em quadrado, seja em losango. Achei tão parecidos os dois modelos que até recordei esses debates que aconteciam na “Era Dunga”: muitos viam o Brasil no 4-4-2 em quadrado, outros no losango, e poucos no 4-2-3-1, de início.

No Inter que venceu o Juventude os posicionamentos e as funções são semelhantes àqueles do Brasil de Dunga. Wilson Matias não alinhou-se a Guiñazu, atuando recuado – mais à direita – na cobertura dos dois laterais, e na proteção da dupla de zagueiros Índio e Ronaldo Alves (que depois de um mau primeiro tempo, foi substituído por Sorondo reclamando dores musculares). Lembrou Gilberto Silva. E o camisa 5 argentino adiantou-se um pouco, sem deixar de ser um volante da primeira linha, mais à esquerda, como fazia Felipe Melo.

O que surpreendeu foi a ocupação de espaços de Tinga pela direita, para quem esperava o prometido losango treinado durante a semana. O camisa 7 colorado avançou demais o posicionamento inicial, passando da linha da bola constantemente e sendo o jogador, no primeiro tempo, que mais concluiu de dentro da área adversária. Como fazia Elano naquela Seleção. Ao lado dele, centralizado, D’Alessandro foi o responsável pela articulação.

Na esquerda, Zé Roberto reproduziu o posicionamento e a função de Robinho com Dunga. Aberto pelo lado, mas autorizado a movimentar-se em diagonais incisivas para se aproximar de Leandro Damião. Sem a bola, foi visto marcando o ala adversário (o Juventude atuou no 3-6-1) no campo colorado. Ele ainda entrou em rotação com D’Alessandro, ora passando para o meio e o argentino para a esquerda, ora indo até a direita e atraindo Tinga para o centro.

Resta saber se este desalinhamento dos jogadores – Tinga mais adiantado, desconfigurando o losango; e Zé Roberto mais recuado, rejeitando a hipótese de 4-4-2 na prática – foi um movimento sincronizado e planejado, ou então algo provocado pela viciação do Inter em jogar no 4-2-3-1 da temporada passada. Se foi algo intencional ou inconsciente. Comparado com o jogo de ontem, para haver losango é preciso Tinga recuar uma linha em seu posicionamento inicial, e Zé Roberto avançar outra linha em sua área de atuação.

FONTE: GLOBOESPORTE.GLOBO.COM

POR: LEONARDO MULLER

Com Carlos Alberto Grêmio tem variação tática

Desde outubro do ano passado, dois meses depois de retornar ao Estádio Olímpico – agora como treinador – Renato Gaúcho sistematizou o Grêmio no 4-4-2 com meio-campo reproduzindo o desenho de um losango. Para os adeptos dos desdobramentos modernos, um 4-3-1-2. E a tática emplacou a partir da utilização do lateral Lúcio como apoiador pela esquerda, configurando uma assimetria – ele avançando, Adilson permanecendo mais preso à base da segunda linha do meio-campo pela direita. Mas, recentemente, Lúcio lesionou-se, e Carlos Alberto ingressou no time.

Com Carlos Alberto, Renato Gaúcho tenta manter o 4-4-2 em losango no Grêmio. O jogador recebe do técnico, entretanto, autorização para deixar o posicionamento inicial e inverter o lado com Adilson. A prerrogativa é a estratégia do adversário: Carlos Alberto deve posicionar-se no setor do lateral apoiador do oponente, para jogar às suas costas. Na teoria, nada deveria mudar.

Mas Carlos Alberto é um jogador mais agressivo que Lúcio, e menos afeito à ocupação do espaço delimitado ao vértice lateral do losango, principalmente sem a posse de bola. Foi assim na noite desta quinta, quando o Grêmio venceu o León de Huánuco por 2 a 0 em Porto Alegre: Carlos Alberto iniciou pela esquerda, depois inverteu de lado com o Adilson, e aos poucos foi avançando até alinhar com Douglas.

Dentro dessa perspectiva, compreendendo a característica diferente de Carlos Alberto na comparação com Lúcio, Renato promove uma variação tática. Do 4-4-2 desdobrado em 4-3-1-2, o Grêmio passa a atuar no 4-4-2 desdobrado em 4-2-2-2:

No segundo tempo contra o León, esta variação se tornou bem clara. Fábio Rochemback e Douglas seguiram centralizados. Mas Adilson recuou à faixa do camisa 5, em lado oposto ao de Carlos Alberto, que adiantou-se ao mesmo patamar do número 10. Não é um quadrado preciso porque Douglas e Rochemback não alteram seus posicionamentos iniciais, mas o desenho é praticamente este.

Vale lembrar que este 4-4-2 desdobrado em 4-2-2-2 foi o primeiro modelo tático de Renato Gaúcho no Grêmio. Isso acontecia com Souza ao lado de Douglas, e Adilson ao lado de Rochemback, tendo Jonas e Borges (depois André Lima), à frente. A configuração alterou-se para o losango quando Souza se lesionou, e Lúcio foi improvisado com sucesso.

FONTE: GLOBOESPORTE.GLOBO.COM

POR:LEONARDO MULLER