Literatura: Luis Fernando Veríssimo

Galera! Hoje falaremos um pouco sobre literatura, mais precisamente de um importante escritor gaúcho, que conseguiu ser reconhecido em todo o país: Luis Fernando Veríssimo. Seu talento certamente foi herança de família, já que seu pai Érico Veríssimo foi um dos maiores escritores de romances e contos no século XX.

Diferentemente do pai, Luis Fernando tem um estilo mais bem humorado, com destaque para as crônicas, que mostram engraçadas e estranhas situações do cotidiano. 

Luis Fernando nasceu em 26 de setembro de 1936, em Porto Alegre. 

Como jornalista, iniciou sua carreira no jornal “Zero Hora”, em fins de 1966, onde começou como copydesk, mas trabalhou em diversas seções (editor de frescuras, redator, editor nacional e internacional). Já escreveu também para o jornal “Folha da Manhã”. Atualmente tem contribuído mais para o jornal “Estadão” e “Zero Hora.

O escritor tem vários livros publicados, o mais conhecido é “O analista de Bagé”, além de diversos livros de crônicas.

Só posso dizer que esse é um escritor admirável, super inteligente e que produz muita coisa interessante! Vale a pena ler sua obras!

CONTO DE FADAS DO SÉCULO XXI- Luís Fernando Veríssimo

Era uma vez… numa terra muito distante…uma princesa linda, independente e cheia de auto-estima. Ela se deparou com uma rã enquanto contemplava a natureza e pensava em como o maravilhoso lago do seu castelo era relaxante e ecológico… Então, a rã pulou para o seu colo e disse: linda princesa, eu já fui um príncipe muito bonito. Uma bruxa má lançou-me um encanto e transformei-me nesta rã asquerosa. Um beijo teu, no entanto, há de me transformar de novo num belo príncipe e poderemos casar e constituir lar feliz no teu lindo castelo. A tua mãe poderia vir morar conosco e tu poderias preparar o meu jantar, lavar as minhas roupas, criar os nossos filhos e seríamos felizes para sempre… Naquela noite, enquanto saboreava pernas de rã sautée, acompanhadas de um cremoso molho acebolado e de um finíssimo vinho branco, a princesa sorria, pensando consigo mesma: – Eu, hein?… nem morta!
SEXA
– Pai…
– Hmmm?
– Como é o feminino de sexo?
– O quê?
– O feminino de sexo.
– Não tem.
– Sexo não tem feminino?
– Não.
– Só tem sexo masculino?
– É. Quer dizer, não. Existem dois sexos. Masculino e feminino.
– E como é o feminino de sexo?
– Não tem feminino. Sexo é sempre masculino.
– Mas tu mesmo disse que tem sexo masculino e feminino.
– O sexo pode ser masculino ou feminino. A palavra “sexo” é masculina. O sexo masculino, o sexo feminino.
– Não devia ser “a sexa”?
– Não.
– Por que não?
– Porque não! Desculpe. Porque não. “Sexo” é sempre masculino.
– O sexo da mulher é masculino?
– É. Não! O sexo da mulher é feminino.
– E como é o feminino?
– Sexo mesmo. Igual ao do homem.
– O sexo da mulher é igual ao do homem?
– É. Quer dizer… Olha aqui. Tem o sexo masculino e o sexo feminino, certo?
– Certo.
– São duas coisas diferentes.
– Então como é o feminino de sexo?
– É igual ao masculino.
– Mas não são diferentes?
– Não. Ou, são! Mas a palavra é a mesma. Muda o sexo, mas não muda a palavra.
– Mas então não muda o sexo. É sempre masculino.
– A palavra é masculina.
– Não. “A palavra” é feminino. Se fosse masculina seria “O pal…”
– Chega! Vai brincar, vai.
O garoto sai e a mãe entra. O pai comenta:
– Temos que ficar de olho nesse guri…
– Por quê?
– Ele só pensa em gramática.

in “Comédias para se Ler na Escola”, Publicações Dom Quixote, 2002, Lisboa. — 10/11/2005


Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s