“Agosto, mês do desgosto”

No mês de agosto, comemora-se o folclore, as tradições e crendices populares que nos cercam. É um mês repleto de mitos e superstições. Para quem crê nelas, passa todo esse período apreensivo, pelos  possíveis infortúnios e mistérios que o mês de agosto esconde.

Mas de onde surgiram essas crenças em torno de um simples mês do ano?

O nome Agosto foi dado pelos romanos como uma homenagem ao imperador Augusto, dada a sua boa fase, entre eles a sua ascensão à compostura de Cônsul e a conquista do Egito. E como a vaidade e a inveja sempre rolou entre os homens, ele não quis ficar atrás de Julio César e fez questão que Agosto também tivesse 31 dias como o mês de julho, de Julio Cesar. Herdamos a tradição dos nossos colonizadores portugueses. No século 16, época das grandes navegações, era nesse mês que as caravelas iam ao mar. Assim, as namoradas dos navegadores nunca casavam em agosto já que, além de não poder desfrutar da lua-de-mel, poderiam passar rapidamente da condição de recém-casadas para a de viúvas.

Segundo o escritor Mário Souto Maior, a tradição se consagrou com a frase “casar em agosto traz desgosto”, que foi resumida para nossa conhecida “agosto, mês do desgosto”. A fama de mês agourento cresceu no século 20, graças a acontecimentos como o suicídio de Getulio Vargas, (24/8/1954) e a renúncia de Jânio (25/8/1961). Mas esta má fama de agosto não é exclusividade da cultura luso-brasileira. O romanos, no século 1, acreditavam que um dragão passeava pelo céu noturno em agosto.

Agosto também é conhecido como o mês do cachorro louco. De acordo com as o registo de ocorrências, devido ao calor intenso que se faz sentir nesta época do ano, no hemisfério norte, antigamente aumentava também a proliferação do vírus da raiva canina. No entanto, com a regularização dos hábitos de vacinação dos animais, estes acontecimentos deixaram de acontecer com tanta frequência.

Na Argentina, muitos deixam de lavar a cabeça em agosto porque acreditam que isso chama a morte. Já na África, o dia 24 de agosto é chamado “dia em que o Diabo anda solto” – dia de todos os exús. Não sabemos ao certo como começou a história de que esse mês é um período de azar. Alguns fatos marcaram o mundo, como o massacre de São Bartolomeu, em Paris. O fato aconteceu no dia 24 de agosto de 1572 e nos dias seguintes espalhou-se por outras cidades. Católicos, sob incitação dos reis da França, atacaram os protestantes. O número de mortos é estimado entre 5 e 30 mil. A região da Polônia também não gosta do oitavo mês. Em 14 de agosto de 1831 os poloneses foram derrotados pelos russos na Revolta de Varsóvia. Alemanha registra que em 3 de agosto de 1932 Hitler assumiu o governo alemão após a morte de seu antecessor.

Sem contar a maior tragédia já vista antes, uma bomba de urânio, jogada por um bombardeiro B-29 norte-americano na cidade de japonesa de Hiroshima. O incidente aconteceu em 6 de agosto de 1945. Na ocasião morreram pelo menos 78 mil pessoas. O efeito continuado das queimaduras e da radiação, contudo, fez muitas outras vítimas nos anos seguintes. Mas não terminou a lenda de agosto. Após três dias do bombardeio em Hiroshima foi realizado um segundo ataque, desta vez à cidade de Nagasaki, em 9 de agosto.
A verdade é que a tendência é para haver um elevado registo de acontecimentos negativos durante este mês. Guerras, epidemias, desastres, furacões, invasões, suicídios, revoluções, terramotos abalaram o mundo com tanta insistência que a maior parte das pessoas fica apreensiva quando chega Agosto.

Veja algumas crendices populares mais conhecidas:

  • Cruzar com gato preto na rua dá azar.
  • Chinelo ou sapato com a sola virada para cima, o pai ou a mãe podem morrer.
  • Sol com chuva, casamento de viúva.
  • Apontar estrela com o dedo faz nascer verruga.
  • Mulher que tem o segundo dedo do pé maior que o primeiro, manda no marido.
  • Cortar cabelo na Sexta-feira Santa não cresce mais.
  • Vassoura atrás da porta espanta visitas.
  • Quem comer muito à noite terá pesadelos.
  • Passar debaixo da escada é má sorte.
  • Quebrar um espelho, dá sete anos de azar.
  • Colocar bolsa no chão faz o dinheiro acabar.
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