Como surgiram as histórias em quadrinhos?

As histórias em quadrinhos existem há muito tempo. Surgiram no mesmo período histórico em que surgiu o cinema, o telégrafo e o raio x, surgiu nos Estados Unidos uma forma singular de comunicação que se tornaria um gênero característico do Século XX: as histórias em quadrinhos.
Nos anos de 1895-1900, surgiram nas tiras de jornais dominicais, nos Estados Unidos, os primeiros personagens das HQs. Dentre os quais, o primeiro a fazer fama: Yellow Kid, de Richard Outcault. Alguns anos depois, o êxito de Yellow Kid levou Rudolph Dirks a produzir Katzenjammer Kids, A primeira criação a desenvolver totalmente as características da moderna tirinha: usava balões, tinha elenco permanente e era dividida em quadros.

A novidade se espalhou pelo mundo. O Japão e a Europa se mostraram terrenos férteis para material de HQs e surgiram muitos cartunistas célebres no início do Século XX. A revolução estética ficou à cargo de Little Nemo in the Slumberland, lançado, em 1905, por Winsor McCay, que usava pela primeira vez a perspectiva em seus desenhos.
Nessa época os quadrinhos começavam a se tornar um elemento indispensável nos jornais diários. Foi quando George Herriman lançou Krazy Kat, a história de um mundo poético, ao mesmo tempo surreal e cômico, no qual, com extrema simplicidade gráfica, eram expostas as relações entre os membros de um pequeno elenco de personagens.

Essa foi a primeira tirinha para o público adulto e inaugurou as histórias com animais, que culminaria com o aparecimento do famoso Gato Félix, de Pat Sullivan, e do Mickey Mouse, de Walt Disney. Em 1930, Hergé cria Tintin, cujo êxito se prolongou por décadas.
No ano seguinte surgiram Betty Boop, de Max Fleischer e Tarzan, de Harold Foster. Buck Rogers e Popeye (criado por Elzie Crisler Segar) também estrearam em 1931.

Fora do controle dos jornais, editados em suas revistas próprias, os quadrinhos foram ficando mais violentos e psicóticos. Surgiam personagens e revistas especializados em terror e violência. Contra essa tendência, se organizaram pais e educadores do todo o mundo e até legisladores de países europeus e, principalmente dos Estados Unidos, levantaram a voz contra os quadrinhos. Eles achavam que as HQs influenciavam negativamente as crianças e queriam proibir suas publicações.
A situação foi ficando cada vez mais tensa e o governo americano chegou ao ponto de censurar vários quadrinhos de heróis. O principal defensor da idéia dizia que as HQs ajudavam negativamente na formação dos jovens americanos. Chegaram a insinuar que a amizade entre o Batman e o Robin sugeria uma relação homossexual e que isso afetava as crianças.

A perseguição da justiça, aliada ao fim da Guerra, fez despencar as vendas de revistas de quadrinhos, pois os heróis já eram o carro-chefe da Nona Arte na época. A criação de códigos de ética e de postura por parte das editoras, para combater a censura, só foi dar resultados alguns anos mais tarde.

Enquanto o mercado de revistas e heróis desmoronava, as tirinhas de jornais voltaram aos dias de glória e surgiram personagens importantes, como Asterix – o Gaulês, de Albert Uderzo e René Goscinny, Mortadelo e Salaminho e Os Smurfs, de Peyo. O personagem Pogo, de Walt Kelly, fez muito sucesso na época.

A década de 60 marcou a recuperação do mercado de heróis. Isso se deveu a vários motivos. O código de ética, que previa menos violência já estava em vigor a algum tempo, a perseguição da justiça americana já estava em baixa e as editoras lançaram heróis com características mais humanas e filosóficas, com dramas psicológicos e problemas cotidianos.
Surgiram nessa época personagens como o Homem-Aranha, o Quarteto Fantástico, o Thor – o Deus do Trovão e o Surfista Prateado. Todos foram criados pela editora Marvel, concebidos pelas mentes dos mestres Stan Lee e Jack Kirby.

Com o mercado de heróis em alta novamente, os quadrinhos ganharam nova explosão de criação. As outras categorias vinham no embalo. Surgiram personagens femininas que inspiravam a moda das mulheres no mundo inteiro. Surgiram também personagens eróticas como Vampirela, de Jean-Claude Forrest, Jodelle, de Guy Peelaert, Valentina, de Guido Crepax. Em 1973, Hagar – o Horrível, é criado por Dirk Browne e vira sucesso instantâneo.Nas últimas décadas do século XX, os heróis se firmaram e ganharam mais revistas. Os criadores de histórias (roteiristas e desenhistas) passaram a ser celebridades mundialmente famosas e seus nomes nos créditos das histórias passaram a contar tanto quanto o nome de um ator famoso em um filme.

Revistas alternativas, na linha sexo-terror, surgiram e fizeram sucesso com edições de alto nível gráfico, sempre destinadas ao público adulto. São dessa fase revistas como Zulu, Hara-Kiri e a mais clássica de todas, Heavy Metal.

Os personagens continuaram a aparecer. Surgiram Tank Girl, de Jamie Hurlott, Hellblazer, de Alan Moore e Sandman, de Neil Gaiman. É dessa época também a febre X-Men, os heróis mutantes, que se firmou como a maior vendedora de revistas da atualidade. Garfield, de Jim Davis e Calvin, de Bill Waterson se firmaram como os maiores personagens de tirinhas de jornais do fim do século XX.

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